É curioso quando redescobrimos algo que não lembrávamos e nem praticávamos há muito tempo. Algo que hoje faz diferença, porque realmente eu não havia dado prioridade, mas agora percebo que é essencial para compartilhar com os outros.
“As grandes revoluções cristãs não vêm por meio de alguma coisa que não era conhecida antes, elas acontecem quando aceitamos radicalmente uma coisa que sempre esteve aí”, disse certo irmão. Isso me despertou muito pra o que eu pensava, mas tinha deixado um pouco de lado, talvez por me preocupar com coisas triviais e esquecer do meu real objetivo como cristão. Ficamos tão ansiosos com nossa salvação, que esquecemos que mais alguém precisa de pelo menos uma palavra nossa para desfrutar da mesma benção.
Graça, que significa eu me regozijo; estou feliz, é o que o mundo precisa. O problema é que mesmo lendo, ouvindo e crendo na teologia da graça, não consigo praticá-la. Porque viver tentando resgatar alguém daquilo que parece errado é tão difícil? Existem duas causas principais da maioria dos problemas emocionais entre os cristãos evangélicos: O fracasso em entender, receber e viver a graça e o perdão incondicionais de Deus e o fracasso de distribuir esse amor, perdão e graça incondicionais aos outros.
Em Mateus 22, Jesus afirma que devemos amar a Deus acima de qualquer outra coisa e ao próximo como a si mesmo, mas isso não é executado por nós nos dias atuais. O que podemos resumir é que quando falamos tal coisa estamos sendo quase sempre hipócritas, fingidos, cínicos, e existem duas opções para a hipocrisia: a perfeição ou a honestidade. Sabemos que a primeira está fora de cogitação para nós, não somos capazes de ser perfeitos, então o que resta é a honestidade, assumir que realmente somos egoístas, que quase sempre é eu, eu e eu, mesmo que inconscientemente.
Eu costumo bater em uma tecla muitas vezes dentro do meio jovem em que vivo e mesmo sendo chamado de chato não desisto dessa idéia: não estamos nos preocupando com o que realmente importa. Um bom exemplo disso está em Jesus ter curado no sábado, os fariseus se preocupavam com o protocolo, não com os doentes. A Imposição extremista aos outros era outra coisa em que Jesus repreendia os doutores da lei daquele tempo. Quem sabe se deixarmos de impor uma doutrina cada vez mais rígida, amenizássemos um pouco a questão do pecado? Na realidade sempre são feitas e refeitas as regras que devemos seguir, sendo que essas regras sempre são quebradas, quase que sem nenhum sucesso. Devemos nos preocupar em transformar vidas e não em transformar leis. Creio que a solução não está em impor “a verdade”, mas deixar que as pessoas percebam através da GRAÇA a verdadeira essência de Deus.
O que é mais difícil, seguir o legalismo, ou seguir a liberdade em Cristo? Se prestarmos bem atenção no que pregamos perceberemos que ser um cristão GRACISO é necessário muita dedicação, por exemplo: É fácil deixar de matar, mas é difícil amar; é fácil evitar a cama do vizinho, mas é difícil manter o casamento vivo, é fácil pagar os impostos, mas como é difícil servir os pobres. Mas, se vivermos realmente dedicados à vida cristã, essas dificuldades serão superadas, porque a lei indica a doença mas a GRAÇA realiza a cura.
É vergonhoso dizer isso, mas o que o mundo precisa é do amor cristão. Sempre que vemos algo de errado no próximo é porque nos comparamos com ele, e quando anunciamos tal erro alheio automaticamente nos dizemos melhores, é o maldito julgamento entrando em ação, é a não-graça tentando destruir a pureza do evangelho de Cristo.
Não podemos mais ser egoístas, precisamos mudar. Fazer com que os que nos rodeiam vejam o verdadeiro brilho de Cristo em nós. O mundo pode fazer tudo tão bem, ou melhor, do que a igreja. Você não precisa ser cristão para construir casa, alimentar famintos ou dar cura aos enfermos. Há apenas uma coisa que o mundo não pode fazer, ele não pode oferecer GRAÇA. Fome de GRAÇA é o que o mundo tem. Devemos transmiti-la em vez de explicá-la.
A vida cristã não deve ser resumida em culto, oração e jejum. São fatores cruciais, mas apenas parte de uma vida firmada na rocha. O PERDÃO deve ser sempre trabalhado de forma especial em nosso coração, pois é a forma exata de GRAÇA que é injusta se olharmos bem de perto, mas é isso que dá vida a tal manifestação divina. Perdoar nada mais é do que a arma que quebra qualquer corrente, acaba com qualquer mágoa, ódio ou orgulho, devemos estar sempre prontos a perdoar. Como poderíamos não perdoar uns aos outros à luz de tudo que Deus nos perdoou? Ser cristão é perdoar o imperdoável, porque Deus perdoou o imperdoável em nós. Em Oséias 11:6-9 temos:
6-A espada cairá sobre as suas cidades, e consumirá os seus ferrolhos, e as devorará, por causa dos seus caprichos. 7-Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim; se é concitado a dirigir-se acima, ninguém o faz. 8-Como te deixaria, ó Efraim? Como te entregaria, ó Israel? Como te faria como a Admá? Como fazer-te um Zeboim? Meu coração está comovido dentro de mim, as minhas compaixões, à uma, se acendem. 9-Não executarei o furor da minha ira; não tornarei para destruir a Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; não voltarei em ira. Se observarmos bem Deus primeiramente dá juízo, mas no final ele é misericordioso. Em Miquéias 7:18b ainda temos: O Senhor não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia.
Portanto demonstremos a GRAÇA com Amor, Perdão e Misericórdia. Sejam meus imitadores disse Jesus. Aquele que não pode perdoar destrói a ponte sobre a qual ele mesmo tem de passar. Sempre que ofendemos pedimos misericórdia, mas quando somos ofendidos pedimos justiça. A falha na lei da vingança é que ela nunca estabelece um final de jogo, sempre haverá um segundo tempo enquanto o PERDÃO não for manifestado em uma das partes.
A não-graça está tão enraizada em nós que sempre que algum acidente, mesmo que pequeno aconteça, muitos de nós já dizemos: “isso é tudo culpa do pecado, se não tivesse em pecada não teria acontecido, se tivesse na brecha Deus não tinha permitido, morreu por que não se arrependeu”. Bem se fosse sempre dessa forma que Deus trabalhasse teríamos imortais entre nós desde a criação do mundo como Abraão, Moisés e outros, e os “justos” viveriam muito mais. Essa não é nenhuma prova de que amo o próximo, muito menos de que amo a Deus. Eu realmente só amo a Deus na proporção em que amo a pessoa que menos amo. Espero nunca esquecer disto, pois é uma das maiores verdades que aprendi até hoje.
Se dependesse do que eu ouvi durante muito tempo a respeito do evangelho creio que nunca me converteria, era sempre sobre como eu ia passar o resto da vida no inferno sendo perturbado pelo capeta. Diante de pecadores pregamos apenas o Juízo, mas onde está a GRAÇA e a MISERICÓRDIA do Pai? Por isso aprendi que não é tudo sobre o reino de Deus que devemos pregar aos necessitados da palavra. Também da forma que somos julgados é mais fácil conseguir prostituição na rua do que um abraço dentro da igreja. A não-graça tem sido o foco de muitos, mesmo involuntariamente. Abrir os olhos não custa nada. Analisem-se a si mesmo. O pecador pode ser uma abominação, mas continuará sendo amado por Deus com a mesma intensidade que Deus nos ama, e DEVE ser amado por nós. Temos que odiar o pecado, mas amar o pecador. É edificante ouvir: “sei que você não concorda comigo, mas mesmo assim ainda mostra o amor de Jesus. Quão bom é viver em união com os irmãos”.
Como devemos agir diante do pecado do próximo? Com certeza essa desobediência não é maior do que a mentira ou o orgulho. E se fosse eu, como agiria? Como gostaria de ser tratado? Ou que esperaria do próximo? Com certeza gostaria que os meus irmãos me amassem como eu sou mesmo com minhas fraquezas e que me respeitassem sem me julgar. Em alguns casos conseguimos aceitar o pecador com GRAÇA e AMOR, mas porque não em todos os casos? A bíblia diz que Deus não faz acepção de pessoas, mas é a coisa que mais fazemos.
Pregamos amar, amar e amar, mas sabemos o que realmente é amar alguém? Amar uma pessoa significa vê-la como Deus pretendia que ela fosse.
Na igreja hoje existem duas classes de pessoas, na realidade duas classes de pecadores: os que acham que já se arrependeram o suficiente e agora podem julgar o outro e os que ainda pedem misericórdia por admitirem que não conseguem parar de pecar. Resumindo, são os que negam o erro e os que admitem o erro.
Da mesma forma com que precisamos perdoar, precisamos ser perdoados, mas para isso temos que estar dispostos a ser apedrejados, de mãos vazias e o começo disso é largar as pedras que usaríamos para apedrejar alguém e baixar a cabeça admitindo o erro. É bem verdade que Deus nos aceita como somos, mas quando ele aceita não podemos permanecer como somos.
Bem, em todos os casos temos que nos portar de maneira autêntica para que a GRAÇA flua verdadeiramente. Qual a necessidade de ser uma cópia do Pastor? Ou do Irmão do louvor? Creio que como disse antes, Deus nos aceita como somos e somente como somos poderemos trabalhar melhor com quem nos conhece e ainda não está conosco. Gandhi certa vez disse: “Um líder... é somente um reflexo dos seus liderados”. Devemos nos espelhar também nos que nós lideramos, teremos muito do que tirar da graça dos pequeninos, não podemos reprimir simplesmente para não perder a autoridade, assim não existe GRAÇA. Temos muito que aprender UNS COM OS OUTROS!
O arrependimento, não o comportamento adequado ou até mesmo a santidade, é a porta de entrada da graça. Qual o oposto do pecado? Antes de ler a resposta tente responder pra si. Não creio que a santidade seja a melhor resposta, por santidade os fariseus eram egoístas, perseguidores da igreja de Cristo. Creio que a GRAÇA é a melhor resposta, sendo a melhor coisa a ser praticada imediatamente!
As pessoas de alguma forma acham, ou melhor, são induzidas a achar que por terem quebrado as regras ainda não ouviram o evangelho da GRAÇA. Jesus disse: “Perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem”, é a única oração que eu tento fazer, mas nem sempre consigo.
Outro ponto é que a lei de Deus não é a lei dos homens, não podemos impor nossas regras ao mundo como verdade absoluta, eles nunca entenderão isso. Pelo contrário se percebermos que somos a bíblia do descrente teremos mais “sucesso”. “De cem homens um lerá a bíblia e noventa e nove lerão o cristão”, disse outro irmão.
Resumindo tudo isso eu pergunto com vergonha e temor: O que há de tão maravilhoso na GRAÇA e porque os cristãos não demonstram mais dela? Como é um cristão cheio de GRAÇA? Não consigo responder, mas faço questão que você pense sobre isso. O mundo tem sede de GRAÇA e quando a GRAÇA desce, o mundo fica em silêncio diante dela.
“O Homem nasceu quebrado. Ele vive se concertando. A GRAÇA de Deus é a cola” (E O’ Neil).
(A maior parte dessa análise foi tirada do livro Maravilhosa Graça de Philip Yancey, não deixem de lê-lo).
QUE A GRAÇA E A PAZ DE CRISTO ESTEJAM COM TODOS NÓS! AMÉM!
(texto escrito por meu irmão)